Equipa de Remo da EDP em Yolle de 4 com Timoneiro – Varela, Eduardo Martins (Voga), Laureano Pereira (Sota), David Cancela (Voga) e Vitor António (Sota)
Artigo atualizado em 17 de novembro 2022
As imagens ilustrativas da rubrica “Recordar o Passado – Remo”, foram obtidas numa regata no Rio Sado, patrocinada pelo Clube Naval de Setúbal, e não no estuário do Tejo, conforme, inicialmente indicado, nas respectivas legendas.
A evocação desta modalidade já tinha sido anunciada para o ano de 2021, mas as circunstâncias decorrentes da mudança da Sede e os vários períodos de confinamento, motivaram o seu sucessivo adiamento, existindo agora oportunidade para a sua publicação, reiterando o repto aos nossos associados para que partilham connosco as vossas memórias fotográficas e não só, de outras modalidades que tenham sido praticadas no âmbito do nosso Clube. Assim, como resultado da minha passagem pela modalidade de Remo, como praticante e seccionista, e do acervo fotográfico que resistiu à marcha do tempo, partilho convosco esta memória, daquela que, nos idos anos 80, foi uma das atividades desportivas praticadas no âmbito do Clube de Pessoal da EDP. As regatas a remos no estuário do Tejo, remontam ao início do Sec. XIX, com a fundação da Real Associação Naval, atualmente Associação Naval de Lisboa e ocorreram, na sua maioria, na designada pista da Junqueira, compreendida entre a Doca de Sto. Amaro e a Torre de Belém.
É neste cenário que está implementada a Central Tejo, edifício emblemático da arqueologia industrial, classificado como Imóvel de Interesse Público, em 1986 (o Museu da Eletricidade só seria criado em 1990), que nos anos 70/80 já estava desativada, mas albergava no seu espaço um ginásio – Lisgás, precursor do nosso clube – e as secções de Vela e de Remo, que aqui estavam num habitat natural junto ao Rio Tejo e aos Clubes Náuticos e graças aos protocolos existentes entre algumas entidades – EDP, Clube de Pessoal, Banco Espirito Santo, Clube Ferroviário de Portugal e Federação Portuguesa de Remo – permitiram a prática da modalidade em várias embarcações (yolle, double scull, skiff). Este intercâmbio permitia também a utilização dos tanques de treino e as embarcações do Clube Ferroviário na Doca de St. Amaro, e a EDP facultava as instalações no Gasómetro da Av. Infante Santo, para a autoconstrução de caiaques, pequena embarcação para lazer, transporte e competição.
As sessões de treino iniciavam-se no ginásio e continuavam com uma corrida até à doca de Stº. Amaro, onde ocorria o treino técnico, nos tanques do Clube Ferroviário e quando o tempo permitia, as embarcações baixavam na doca de St. Amaro, para treinos ou competições. A prática da modalidade manteve-se quase toda a década de 80, com a participação regular em provas, realizadas maioritariamente no Estuário do Tejo e do Sado, mas também em Barragens – Cabril e Aguieira, mas a grande festa da modalidade ocorria num evento realizado anualmente, patrocinado pela Câmara Municipal de Lisboa, designado como a semana do Tejo, incluída nas festividades da Cidade de Lisboa, que era uma verdadeira festa da modalidade e não só, através duma competição regular, à semelhança das regatas entre Oxford e Cambridge, onde mais do que competir, o que se pretendia era a revitalização do Rio Tejo e aproximar as pessoas ao mesmo e à prática desportiva, sendo o Clube de Pessoal EDP um parceiro privilegiado, onde as nossas equipas pontificaram durante alguns anos, tendo algumas das cerimónias de entrega de troféus ocorrido nas instalações da Central Tejo.
As fotos que aqui partilho, foram obtidas numa regata no Rio Sado, patrocinada pelo Clube Naval de Setúbal e são ilustrativas da prática da modalidade de Remo, em embarcação Yolle de 4, com timoneiro, cuja equipa principal recordo com saudade e cujos nomes destaco: Varela (Timoneiro), Eduardo Martins (Voga) Laureano Pereira (Sota), David Cancela (Voga) e Vitor António (Sota).
Por circunstância várias, a modalidade extinguiu-se, bem como o evento anual, apesar de se continuar a realizar o Campeonato Nacional de Yolle, com a presença de equipas de todo o país, mas foi com bastante agrado que registei a iniciativa realizada em Setembro de 2019, em que a Associação Naval de Lisboa, organizou uma competição de barcos históricos da classe Yolle, que se repetiu em 2020, em Outubro, apesar das contingências impostas pela pandemia, e que além de evocar esta modalidade e a embarcação, ajuda a dinamizar o Tejo e Lisboa.
A talhe de foice, registo o aparecimento de uma nova modalidade designada por Remo de Mar, reconhecida pela FISA (Federação Internacional de Remo), candidata a integrar os Jogos Olímpicos, que tem dado os primeiros passos em Portugal, e mais uma vez o estuário do Tejo foi palco, em Novembro de 2020, da primeira regata, sendo mais um elemento que ajuda a manter viva a atividade.
Registo ainda a existência da modalidade de Remo Indoor, também reconhecida pela Federação Internacional de Remo, como modalidade oficial, que durante os tempos de confinamento, ganhou destaque e possibilitou o treino intenso sem sair de casa, pois as opções técnicas são variadas e proporcionam um treino completo.

