Testemunho e fotografias de Helena Pina, sobre a experiência da viagem ao Uzbequistão — Tashkent, Khiva, Buckhara, Samarcanda…
Foto: O grupo de viajantes na estação de metro Kosmonavtlar em Tashkent (foto de Helena Pina)
A experiência do Viajante
Texto e fotos de Helena Pina
Mais uma ótima viagem a um país mágico que fez parte da Rota da Seda, o Uzbequistão (terra dos uzbeques). A população é de cerca de 38 milhões, sendo na sua grande maioria muçulmanos.
Tashkent
A nossa primeira paragem foi na capital Tashkent, a Moderna, que se revelou uma agradável surpresa. Não só pelos seus monumentos, mas também pela arquitetura moderna e as suas avenidas próprias de uma grande capital.
Uma das mais importantes visitas foi ao Complexo Khast Imam, o centro espiritual de Tashkent e um dos locais islâmicos mais importantes do Uzbequistão. Localizado na parte antiga da cidade, consiste num conjunto de mesquitas, madraças e mausoléus de diferentes períodos.
Visitamos também o Bazar Chorsu, nome que significa encruzilhada em persa. Era aqui que já desde a Idade Média se faziam trocas comerciais. Depois do terramoto de 1966, foi proposto cobrir com cúpulas o mercado existente e em 1990 foi construído o mercado atual.
Fomos conhecer algumas estações de metro, construídas durante o período da União Soviética e que facilitam as deslocações aos cerca de 4 milhões de habitantes da cidade.
Khiva
A paragem seguinte foi em Khiva, a Autêntica, famosa pelo seu centro histórico fortificado, Itchan Kala, classificado como Património Mundial da Unesco. Dentro das suas muralhas podemos visitar, entre outros monumentos, o Minarete Kalta Minor, a cidadela Kunia Ark e a Mesquita Juma.
A cidade era o último local de paragem das caravanas, nomeadamente da Rota da Seda, antes da travessia do deserto em direção ao mar Cáspio.
Khiva é a cidade natal de Alcuarismi, Muhammad Ibn Mūsā al-Khuwārizmī; um matemático, conhecido como o pai da álgebra.
Buckhara
O seguimento da nossa viagem para Buckhara, a Mística, foi de comboio através do deserto Kyzyl-Kum, ao longo da antiga Rota da Seda.
Esta cidade, também classificada como Património da Unesco e que possui vários monumentos de grande beleza arquitetónica. Entre eles pode salientar-se o Minarete Kalon, datado de 1127 e famoso por ter sido poupado da destruição por Genghis Khan, que terá ficado impressionado pela sua altura.
Um outro monumento, o Chor Minor, também conhecido como Madraça de Khalif Niyaz-kul. O nome do monumento significa “quatro minaretes” em persa, uma referência às suas quatro torres, que na realidade não são minaretes, dado que estes são exclusivos das mesquitas.
Em Bukhara tivemos ocasião de aprender a preparar o Plov, prato nacional do Uzbequistão, numa casa de família tradicional. O Plov é um prato de arroz aromático cozido com carne (vaca, aves ou cordeiro), legumes e uma variedade de especiarias.
E partimos para a nossa última paragem, Samarcanda, a Fabulosa.
Samarcanda
Samarcanda é considerada um dos grandes símbolos da história e cultura da Ásia Central e um dos mais importantes entrepostos da Rota da Seda.
Começamos a nossa visita pela Praça Registan, o centro público e cerimonial da cidade. Esta praça é rodeada por três madraças: a Ulugbek, a Sherdor e a Tillya-Kari. Esta última serve também de mesquita de Sexta-feira (mesquita principal de uma cidade onde os muçulmanos se reúnem semanalmente para a oração do meio-dia de sexta-feira acompanhada pelo sermão proferido pelo imã).
Visitamos também o Mausoléu Gur-Emir, túmulo de Tamerlão (Amir Timur) e do seu neto e que serviu de modelo arquitetónico para o Taj Mahal.
Amir Timur (1336–1405) foi um estrategista militar e fundador do Império Timúrida na Ásia Central, lembrado por unir a região sob um único domínio e financiar o florescimento das artes, ciências e arquitetura monumental islâmica no século XIV.
Depois da visita à ruína da Mesquita Bibi-Khanum, que foi uma das maiores mesquitas do mundo islâmico construída por Tamerlão, continuamos para a Necrópole Shah-i-Zind, um importante local de peregrinação constituído por uma série de mausoléus decorados por mosaicos.
Na Aldeia Konigil assistimos ao fabrico de papel a partir de casca de amoreira.
Em Samarcanda podemos ainda visitar o fantástico Complexo Memorial do Imam al-Bukhari onde se encontra uma grande mesquita de mármore com capacidade para mais de 12000 fiéis, adornada com uma grande cúpula, quatro cúpulas menores e quatro imponentes minaretes de 75 metros e o mausoléu de Muhammad ibn Ismail al-Bukhari um importante erudito muçulmano.
Mas Samarcanda não é só mesquitas e mausoléus. Nos arredores existe uma zona mais recente e ampla onde se encontram hotéis de 4 e 5 estrelas, restaurantes, lagos artificiais e áreas de lazer.
E agora é esperar pela próxima viagem…



